Da arvore de Cybele mais amada, Que nenhuma nascida em Benavente Ou pelo rio abaixo até Almada. Vêde-o nas toalhas, que presente Vos mostra a bebedice já passada, Nas quaes vivas lembranças vos deixou O que de vinho mais se carregou.
Das festas de Lyeo em esta idade, Podeis atravessar com confiança Quantas adegas ha n'esta cidade: Vós, mano, nosso amor, nossa esperança, A quem só promettemos lealdade, Pois Baccho a nós vos deu por cousa grande, Seja a medida assim de quem a mande.
Seja de bom licor, não saiba a arruda, De Peramanca seja que é gostosa, O peito esforça, a côr ao gesto muda; Dae-me igual nome ás tassas da famosa Gente vossa que Baccho tanto ajuda; Que se espalhe, e se cante no universo, Se tanta bebedice cabe em verso.
Em mim tendes a sêde tão ardente, Se sempre em largo copo espraiado Festejei vosso vinho alegremente, Dae-me agora um bom papo despejado Para beber á perda co'esta gente, Porque de vossas agoas Baccho ordene Um rio para bebados perenne.
As grandes bebedices que fizeram; Cale-se do Rangel e do Carrança A multidão dos vinhos que beberam, Que eu canto d'outra gente e d'outra lança, A quem frascos de vinho obedeceram: Cesse tudo o que a musa antiga canta, Que outro beber mais alto se alevanta.
D'aquelles que andaram esgotando O imperio de Baccho, e as saborosas Agoas do bom Louredo devastando; E os que por bebedices valerosas Se vão das leis do reino libertando; Cantando espalharei por toda a parte, Se a tanto me ajudar Baccho, e não Marte.
Que de Alcochete junto a Villa Franca, Por mares nunca d'antes navegados Passaram inda além de Peramanca: Em pagodes, e ceias esforçados, Mais do que se permitte a gente branca, Em Evora cidade se alojaram, Onde pipas e quartos despejaram.